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Empresa privada quer minerar um asteroide, mas não quer concorrência

Empresa AstroForge lança missão espacial sem revelar o alvo e gera debate sobre transparência e regulamentação na exploração espacial comercial.

Empresa privada quer minerar um asteroide, mas não quer concorrência -

Imagem: Arte "Asteroide de ouro" por Ciência Mundo

À medida que a exploração espacial avança, empresas privadas como a AstroForge já começam a explorar oportunidades, como a mineração de asteroides, abrindo caminho para uma revolução que pode transformar a indústria espacial. 

No entanto, esse avanço começou a gerar algumas polêmicas, depois que a AstroForge decidiu manter sigilo sobre sua próxima missão a um asteroide próximo à órbita da Terra.

O lançamento da missão, batizada de Odin, está previsto para o próximo ano, marcando a primeira incursão totalmente comercial no espaço profundo, além da lua. 

O que diferencia esta missão é o mistério que envolve o asteroide alvo, uma decisão estratégica da AstroForge para proteger seus interesses comerciais. 

A empresa argumenta que, em um mundo onde a competição é acirrada, revelar o destino poderia significar perder os valiosos metais do asteroide para um concorrente ávido.

Críticas a missão espacial Odin

A AstroForge levanta uma questão crucial sobre a transparência nas missões espaciais comerciais e destaca lacunas na regulamentação do voo espacial. 

Astrônomos e especialistas expressam preocupações sobre o precedente estabelecido por essa missão secreta, ressaltando a importância de informações abertas em um esforço conjunto para beneficiar toda a humanidade.

Jonathan McDowell, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, critica a falta de divulgação, afirmando que “não é favorável ter coisas circulando pelo sistema solar interno sem que ninguém saiba onde estão.” 

Essa resistência à falta de transparência destaca um desafio emergente à medida que o setor espacial se torna cada vez mais dominado por empresas privadas.

A AstroForge, liderada por Matt Gialich, justifica sua abordagem secreta, enfatizando o risco de perder o asteroide-alvo para a concorrência se a informação for divulgada. 

Gialich afirma que a empresa planeja compartilhar as imagens da missão, garantindo transparência em relação aos aspectos visuais da empreitada.

Missões espaciais da AstroForge

A missão Odin é a segunda incursão da AstroForge no espaço, seguindo a missão Brokkr-1 que se iniciou em abril, uma missão destinada a praticar a refino de metais no ambiente espacial, o principal objetivo da empresa. 

A sonda Brokkr-1 atualmente enfrenta desafios técnicos e a AstroForge corre contra o tempo para corrigir seus problemas antes de perdê-la definitivamente.

O destino de Odin é um asteroide do tipo M, acreditando-se ser fragmentos de núcleos planetários fracassados e potencialmente ricos em metais do grupo da platina. 

Esses metais têm uma variedade de aplicações, desde a indústria de saúde até a produção de joias. 

Embora a missão Psyche da NASA também tenha como alvo um asteroide do tipo M, chamado Psyche, entre Marte e Júpiter, a AstroForge tem a oportunidade de ser a primeira a explorar esse tipo de asteroide.

O enigma do asteroide

Enquanto a AstroForge mantém o destino de Odin em segredo, a especulação sobre possíveis alvos aumenta. 

Com cerca de 30.000 asteroides conhecidos próximos à Terra, a empresa estabeleceu critérios específicos, como tamanho e acessibilidade, reduzindo potencialmente a lista de alvos para aproximadamente 300 asteroides, de acordo com especialistas do setor.

Questões éticas da mineração de asteroides

Financiada em parte pelos avanços na exploração espacial comercial, impulsionados principalmente pela SpaceX de Elon Musk, a AstroForge levanta a questão de como equilibrar os interesses comerciais com o benefício científico e humano. 

Michelle Hanlon, professora de direito espacial na Universidade do Mississippi, destaca a falta de um processo de licenciamento para missões de espaço profundo nos Estados Unidos, levantando questões sobre a regulamentação futura.

A questão central permanece sobre a necessidade de transparência em missões espaciais comerciais, especialmente à medida que mais empresas buscam explorar o espaço profundo em busca de recursos valiosos. 

A abordagem sigilosa da AstroForge levanta questões éticas e práticas sobre o futuro da exploração espacial comercial. 

Enquanto a empresa busca proteger seus interesses comerciais, os cientistas argumentam a favor de uma abordagem mais transparente, dada a natureza científica e exploratória dessas missões.

Para eles, o mistério que envolve a missão Odin da AstroForge adiciona um elemento preocupante à crescente narrativa da mineração de asteroides. 

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Notícias

The First Secret Asteroid Mission Won’t Be the Last. The New York Times, 2023. Disponível em: <link>. Acesso em: 28 dez 2023.

Cite-nos

SANTOS, Fábio. Empresa privada quer minerar um asteroide, mas não quer concorrência. Ciência Mundo, dez 2023. Disponível em: . Acesso em: 05 maio 2024.


Graduado em Sistemas de Informação pela FEUC-RJ e mestre em Representação de Conhecimento e Raciocínio pela UNIRIO. Fábio é editor e fundador do portal Ciência Mundo. É dedicado à produção de conteúdos relacionados a astronomia, física, arqueologia e inteligência artificial.