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Tijolos de 3.000 anos revelam segredos do campo magnético da Terra

Arqueólogos descobrem flutuações no campo magnético terrestre através de tijolos mesopotâmicos que guardam assinaturas geofísicas.

Tijolos de 3.000 anos revelam segredos do campo magnético da Terra -

Imagem: Tijolo da era de Nabucodonosor II (ca. 604 a 562 aC) - Museu Slemani

A compreensão das mudanças no campo magnético da Terra ao longo do tempo ganhou destaque com uma pesquisa recente que analisou tijolos mesopotâmicos, datados de aproximadamente 3.000 anos atrás (HOWLAND, 2023)

Esses tijolos, utilizados na construção de uma das civilizações mais antigas da história, agora oferecem aos cientistas uma ferramenta valiosa para investigar a evolução do campo magnético terrestre.

O trabalho, liderado pelo arqueólogo Matthew Howland da Universidade Estadual de Wichita, concentra-se no arqueomagnetismo, uma disciplina que estuda o campo magnético da Terra preservado em objetos humanos antigos. 

Ao contrário de muitos métodos tradicionais de datação, como radiocarbono, que dependem de materiais orgânicos, a arqueomagnetismo permite uma abordagem inovadora ao analisar objetos inorgânicos, como tijolos e cerâmicas.

A novidade neste trabalho, foi aproveitar a conveniente inscrição dos tijolos com o nome do rei que reinava durante sua fabricação. 

Tijolo da era de Nabucodonosor II (ca. 604 a 562 aC), segundo inscrições.
Imagem: Museu Slemani.

Isso forneceu uma base de dados precisa para determinar a cronologia desses artefatos, essenciais para entender não apenas a evolução do campo magnético, mas também para esclarecer períodos históricos específicos.

O campo magnético da Terra, gerado pelo geodínamo no núcleo do planeta, não é estático e sofre mudanças ao longo do tempo. 

Essas variações podem ser influenciadas por fatores externos, como o vento solar, ou por mudanças internas, como aquelas ocorridas no próprio geodínamo. 

As alterações no campo magnético ficam registradas em materiais na superfície, e é nesse ponto que os tijolos mesopotâmicos entram em cena.

A equipe de pesquisa coletou dados de 32 tijolos, cada um carregando a marca do rei da época. 

Ao analisar minúsculos fragmentos desses tijolos, os cientistas puderam medir o alinhamento dos grãos de óxido de ferro embutidos, proporcionando uma reconstrução abrangente do comportamento do campo magnético ao longo de 2.000 anos, do 3º ao 1º milênio a.C.

Os resultados revelaram uma descoberta notável: a confirmação da existência da Anomalia Geomagnética da Idade do Ferro Levantina (LIAA), um aumento misterioso na intensidade do campo magnético entre 1050 e 550 a.C.

Este achado contribui para o entendimento global das variações do campo magnético terrestre em diferentes períodos históricos.

Além disso, a análise identificou flutuações significativas durante o reinado de Nabucodonosor II, entre 604 e 562 a.C., evidenciando que o campo magnético terrestre pode experimentar alterações substanciais em curtos intervalos de tempo.

O valor dessa pesquisa vai além do campo da geofísica. A confirmação das datas dos tijolos, correlacionadas com as inscrições dos reis, resolve uma lacuna histórica significativa. 

Embora a ordem de sucessão fosse conhecida, as datas precisas da ascensão ao trono de cada rei permaneciam incertas devido a registros históricos incompletos.

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Referências

HOWLAND, M. et al. Exploring geomagnetic variations in ancient mesopotamia: Archaeomagnetic study of inscribed bricks from the 3rd–1st millennia BCE. pnas.org, 2023. Disponível em: <link>. Acesso em: 20 dez 2023.

Cite-nos

SANTOS, Fábio. Tijolos de 3.000 anos revelam segredos do campo magnético da Terra. Ciência Mundo, dez 2023. Disponível em: . Acesso em: 05 maio 2024.


Graduado em Sistemas de Informação pela FEUC-RJ e mestre em Representação de Conhecimento e Raciocínio pela UNIRIO. Fábio é editor e fundador do portal Ciência Mundo. É dedicado à produção de conteúdos relacionados a astronomia, física, arqueologia e inteligência artificial.