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A Terra não é plana, mas Júpiter pode ter sido, sugere teoria

Planetas gigantes, como Júpiter, podem ter começado como discos achatados, durante a formação planetária.

A Terra não é plana, mas Júpiter pode ter sido, sugere teoria -

Imagem: Simulação de um protoplaneta visto de cima (esquerda) e lateral (direita) - Fenton & Stamatellos

Tradicionalmente, os astrônomos sempre acreditaram que os planetas se formavam como esferas perfeitas, gradualmente acumulando material na órbita ao redor de suas estrelas hospedeiras. 

No entanto, uma pesquisa recente, conduzida pelos Adam Fenton e Dimitris Stamatellos da Universidade de Central Lancashire, sugere que a formação planetária pode ser mais complexa do que imaginávamos (FENTON, 2024).

De acordo com as novas simulações, planetas gigantes que se formam a uma distância considerável de suas estrelas não começam suas vidas como esferas, mas sim como discos achatados, semelhantes a panquecas ou M&M’s. 

Essa forma, conhecida como esferoide oblato, surge à medida que os protoplanetas giram e gradualmente atraem material do disco protoplanetário que os rodeia.

O processo de formação de planetas começa em discos de poeira e gás que circundam estrelas recém-nascidas. 

À medida que o disco se condensa e esfria, surgem áreas de maior densidade que eventualmente se aglutinam para formar planetas. 

Para os planetas terrestres menores, como Terra e Marte, acredita-se que a acreção de material rochoso seja o principal mecanismo de crescimento. 

No entanto, para os gigantes gasosos como Júpiter, uma explicação mais complexa se faz necessária.

A teoria de instabilidade do disco sugere que, em determinadas condições, o disco ao redor de uma estrela pode se fragmentar em pedaços que, em seguida, condensam-se sob a influência da gravidade para formar planetas. 

Esse processo oferece uma explicação plausível para a formação de planetas gigantes em órbitas amplas ou com massas maiores do que o esperado em relação às estrelas que orbitam.

As simulações de Fenton e Stamatellos revelaram que os protoplanetas gigantes inicialmente assumem uma forma achatada devido à força centrífuga envolvida no processo de rotação. 

Essa forma de “panqueca” é uma característica comum em corpos celestes em estágios iniciais de formação, mesmo nos planetas mais compactos do nosso próprio Sistema Solar.

Uma descoberta inesperada nas simulações é que o material protoplanetário tende a se acumular nos pólos dos gigantes gasosos em formação, em vez de ao redor do equador, como se pensava anteriormente. 

Esse fenômeno sugere uma dinâmica complexa no processo de acreção de material e pode ter implicações significativas para nossa compreensão da formação planetária.

Embora essa nova teoria ofereça insights valiosos sobre os mecanismos subjacentes à formação de planetas, ainda há muito a ser compreendido. 

A relação entre a instabilidade do disco e outros modelos de formação planetária, como a acreção de núcleo, precisa ser investigada mais profundamente para consolidar nossa compreensão do processo.

À medida que continuamos a explorar os confins do espaço, essas descobertas nos lembram da complexidade e diversidade do Universo ao nosso redor. 

Cada nova teoria e descoberta nos aproxima um pouco mais de desvendar os mistérios da formação planetária e nosso lugar no cosmos.

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Referências

FENTON, Adam; STAMATELLOS, Dimitris. The 3D structure of disc-instability protoplanets. Astronomy & Astrophysics, v. 682, p. L6, 2024. Disponível em: <link>. Acesso em: 13 fev 2024.

Cite-nos

SANTOS, Fábio. A Terra não é plana, mas Júpiter pode ter sido, sugere teoria. Ciência Mundo, fev 2024. Disponível em: . Acesso em: 05 maio 2024.


Graduado em Sistemas de Informação pela FEUC-RJ e mestre em Representação de Conhecimento e Raciocínio pela UNIRIO. Fábio é editor e fundador do portal Ciência Mundo. É dedicado à produção de conteúdos relacionados a astronomia, física, arqueologia e inteligência artificial.